Durante muito tempo, programas de compliance foram avaliados pela sua existência:
políticas aprovadas, códigos de conduta publicados, registros arquivados.

O problema é que existir não é funcionar.

Estudos recentes mostram que a maior parte das falhas de compliance não decorre da ausência de normas, mas da incapacidade de executar obrigações de forma consistente, rastreável e sustentável no dia a dia.


O erro estrutural: compliance como inventário, não como sistema

Muitas organizações estruturam compliance como um inventário de obrigações:

  • listas em planilhas,
  • agendas genéricas,
  • controles dispersos em e-mails e pastas.

Esse modelo cria uma falsa sensação de controle.

Segundo a Deloitte, programas de risco e compliance falham com mais frequência quando não estão integrados à operação, permanecendo desconectados dos processos reais de negócio (Global Risk Management Survey, 2024).
👉 O resultado é retrabalho, respostas frágeis a auditorias e baixa confiança externa.


O que a governança moderna já deixou claro

A OECD, ao tratar de governança corporativa e controles internos, é direta:

Sistemas eficazes de compliance dependem de responsabilidade clara, monitoramento contínuo e capacidade de demonstrar evidência — não apenas de regras formais.

Ou seja:
compliance falha quando não há accountability operacional, mesmo que a norma exista.


Onde a maioria dos programas quebra na prática

Quando analisamos programas que não funcionam, o padrão se repete:

  • obrigações sem responsável claramente definido;
  • prazos tratados como referência, não como compromisso;
  • evidências fragmentadas, difíceis de localizar ou inconsistentes;
  • dependência excessiva de pessoas-chave para “explicar” o que foi feito.

A ISO 37301 (Compliance Management Systems) é explícita ao afirmar que um sistema de compliance eficaz deve ser demonstrável, verificável e sustentado por evidências confiáveis, e não apenas por declarações de conformidade.


Compliance que funciona não reage melhor — estrutura melhor

Um programa de compliance maduro não se mede pela rapidez da resposta ao problema.
Ele se mede pela redução da probabilidade do problema ocorrer.

Isso acontece quando cada obrigação possui, no mínimo:

  • Dono definido
  • Prazo acompanhado
  • Evidência organizada e rastreável

Sem esse tripé, o compliance até existe — mas não gera confiança, nem interna, nem externa.


Para refletir

Se hoje sua organização precisasse demonstrar o cumprimento de uma obrigação crítica,
ela conseguiria comprovar com segurança, ou dependeria de esforço manual e reconstrução de histórico?

Essa resposta costuma separar programas que funcionam na prática daqueles que apenas existem no papel.


Compliance que funciona na prática
obrigação com dono, prazo e evidência